Segunda-Feira
23 / 10 / 2017

Polícia

Corpo encontrado em decomposição foi identificado e sepultado no interior de Jaicós

O corpo foi liberado na noite da última segunda-feira (9), e chegou na casa dos pais na madrugada, onde foi velado e sepultado .

12/10/2017 - Edivan Araujo


Maurício Dias Lopes, de 37 anos
Fotos: Cidadesnanet

O Instituto Médico Legal identificou o corpo encontrado no último dia 4 de outubro, na margem da BR 407, na divisa entre os municípios de Jaicós e Geminiano, em avançado estado de decomposição. O reconhecimento foi feito por familiares, a mãe e um irmão, que identificaram roupas, calçado e uma tatuagem.

O corpo pertence a Maurício Dias Lopes, de 37 anos, filho de um casal de agricultores, Afonso Lopes e Francisca Ismar Dias Lopes, que reside na localidade Pau de Leite, zona rural do município de Jaicós, distante 12 km da sede. De acordo com a certidão de óbito, a morte foi causada por perfurações feitas a bala.

O corpo foi liberado na noite da última segunda-feira (9), e chegou na casa dos pais na madrugada, onde foi velado e sepultado no início da manhã de terça-feira (10), na propriedade da família, distante cerca de 300 metros da residência.

A reportagem do portal Cidades na Net foi até a localidade Pau de Leite, onde moram os pais de Maurício. A casa simples fica situada em um local isolado, distante de outras casas. A reportagem foi recebida pela aposentada Francisca Ismar. Muito gentil, ela abriu a porteira e chamou para entrar, se dirigindo até uma sala, onde haviam um colchão encostado na parede, quatro cadeiras, redes, uma máquina de costura e equipamentos para uso na agricultura.

 

Dona Francisca contou a conturbada vivência Maurício, um dos seus oito filhos. Segundo ela, Maurício tinha problemas mentais e chegou a iniciar tratamento, que acabou sendo abandonado. Por conta do problema, disse que pensou em construir um quarto para trancar o filho, mas a comunidade onde mora não tem abastecimento de água e nem energia elétrica. “Queria colocar ele num quarto e cuidar dele, dar remédio. Mas aqui não tem condição. Aqui não tem nada, nem água, nem energia”, disse.

De acordo com a mãe, Maurício pouco ficava em casa. “Faz dez anos que ele não parava aqui. Vivia perambulando nas casas dos parentes e dos conhecidos. De repente ele aparecia aqui, dormia na casa velha, depois sumia de novo”, disse. A casa velha a qual Dona Francisca se refere é uma antiga casa da família situada próximo da que atualmente residem. Ela conta que quando ele aparecia por lá, ia sempre levar alimentos para Maurício.

Outro problema de Maurício estava associado ao consumo de bebidas alcoólicas. “Quando bebia ficava doido. No dia 03 de fevereiro de 2011, eu ‘tava’ sozinha em casa quando ele chegou valente, me bateu, quebrou meu braço com um cabo de foice. O ano passado ele saiu falando que tinha matado o Afonso e eu. Outra vez, no dia 05 de setembro [de 2017] eu ‘tava’ banhando quando ele chegou quebrando a janela. Eu saí correndo. É meu filho e eu queria muito bem, mas eu tinha medo dele”, disse.

Outro caso relatado pela mãe aconteceu em março deste ano. Maurício se envolveu em uma confusão na cidade de Jaicós, foi agredido e sofreu uma grave lesão na cabeça, chegando a ser levado para o Hospital de Urgências de Teresina.

Maurício saiu da localidade Pau de Leite pela última vez na quinta-feira, dia 28 de setembro, afirmando que iria para Picos. Em busca de notícia do paradeiro do filho, Dona Francisca disse que já tinha ligado para uma filha em Picos, para familiares e conhecidos em Jaicós, Campo Grande do Piauí, no povoado Riacho do Padre, em Padre Marcos, locais onde o filho costumava ficar, mas ninguém sabia do paradeiro do mesmo.

A aposentada conta que ficou sabendo da notícia de que uma pessoa havia sido encontrada morta na divisa de Jaicós e Geminiano. “Ninguém esperava notícia boa mesmo. Mãe sente. Eu logo pensei que fosse ele”, disse. Ela conta que ligou para a polícia e as informações sobre a roupa vestida no corpo em decomposição tinham semelhança com as roupas de seu filho. Maurício vestia um calção azul, camisa verde, boné vermelho e um chinelo azul.

Quando foi até a cidade de Jaicós, o corpo já havia sido levado para o IML, em Teresina. Dona Francisca disse que foi com um dos filhos para Teresina para fazer o reconhecimento. “Foi difícil ver ele daquele jeito”, disse.

Enquanto conversou com a reportagem, Dona Francisca interrompeu a fala por várias vezes, emocionada. Outras várias vezes, ela reafirmou seu amor pelo filho. “Ele era trabalhoso, mas era meu filho e eu queria muito bem. Qual mãe não quer bem a seu filho?”, indagou.

A aposentada relata que tem sofrido muito. Na conversa, ela contou outro drama, a perda de um outro filho no ano de 2010, que segundo ela, também teria sido assassinado. Ela se levantou, foi até um móvel de madeira no outro cômodo, e retornou com uma  foto do outro filho morto, no local onde o corpo foi encontrado. “Acharam ele numa grota de pedras. Eu já sofri demais. Não sei como ainda ‘tô’ aguentando. Se eu pudesse ia passar uns dias com minha filha em Picos, mas tem essa casa ‘pra’ cuidar, tem que cozinhar”, disse.

 

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